segunda-feira, 3 de março de 2008

Sobre o centro da cidade...


Eu sou totalmente suspeita, eu sei. Moro no centro desde priscas eras e sempre digo que amo isso aqui. Mas, na boa, a verdade é que eu amo onde eu moro, e não o "Centrão". O "Centrão" que inclui a praça da Alfândega e tudo o que vem depois dela, em direção à Santa Casa, praticamente tudo isso faz parte do que eu detesto no centro. Sábado de noite, conversando com um casal de amigos, ficamos contado causos sobre o centro e as coisas bizarras que acontecem, bem como as figuras folclóricas que existem. Meus amigos concordaram que há alienígenas entre nós e todo o dia eu sou obrigada a pensar que estamos sendo invadidos.

De figuras folclóricas e coisas bizarras o centro está cheio... tem um senhor ceguinho, que vende mega-senas... gente do céu, que vozeirão... ele grita lá na Borges, diz que "vai sair hoje!" e eu escuto lá do escritório (que é perto, mas é longe). Tem os músicos da praça, os hippies da praça, as prostitutas da praça... os loucos de "todo o gênero"... coisas divertidas, coisas tristes...

O "Centrão" que muita gente detesta é, na verdade, um retrato da vida maluca que a gente leva nessa cidade... Porto-Alegrenses não são normais, vamos combinar... mas o que mais me chama a atenção e me entristece é a quantidade de gente escrota que tem por aqui...

8 comentários:

Carol disse...

Eu ouço o tiozinho da mega sena também. É um vozeirão!! Tem vezes que ele fica próximo à loja Paquetá e Gaston ali na Borges, consigo ouvi-lo do prédio onde trabalho, ao lado do tudo fácil.
Tu esqueceu de mencionar o Zé da Folha, com seus trocentos instrumentos, hehehe...
Beijocas.

Vica disse...

É, esqueci do Zé da Folha... ele tá chique agora, tá abrindo o Tangos e Tragédias.

Otto disse...

E os tiozinhos peruanos que tocam "El Condor Pasa" na Praça da Alfândega?
E as minas da "Fábrica de Calcinhas" na Voluntários?

By the way: Não são somente os porto-alegrenses que não são normais, pode ter certeza ;-)

Vica disse...

Os peruanos faz tempo que não vejo, e não passo na volunta, graças a Deus! Mas eu esqueci das fruteiras que ficam abertas de madrugada e do "conserta-se gaitas"!

Dani disse...

Hahahahahaha
Adorei isso tudo.
O centrão faz parte da minha vida portoalegrense. Desde o início, quando guria, eu vinha dos "interior" prá passear. Calçadão da Andradas, um sorvete nas Americanas...
Hoje moro num bairro que já foi o auge da vanguarda, o Bomfa, e ele se perdeu um pouco. Aqui também vive os loucos, os de pedra e os como eu.
Na boa eu amo estes lugares cheios de história e personagens.
Ando pela rua imaginando e criando roteiros na minha cabeça.
Mas, concordo..o povo é difícil.
Muito difícil.
Beijos

Vica disse...

Ah, quando eu era pequena, o Centro era tão melhor... adorava ir nos finais de semana almoçar no Ribs...

Rennot disse...

Milkshake d Ribs....

Lívia Araújo disse...

Vica, pra mim o Centrão é fascinante e horroroso...rs. Eu amo o Mercado Público e aquelas lojas de tudo da Júlio de Castilhos (da Voluntários, não). Mas, ao mesmo tempo, a realidade da vida dos outros acaba invadindo tudo. Mas o bom é isso, é que põe o dedo na ferida.