domingo, 4 de dezembro de 2011

Carta a Daniel 23


Querido Daniel,
talvez o amor que eu busque, seja, afinal, inexistente.
Talvez os momentos felizes sirvam apenas para lembrar da tristeza que resta no fundo do pote, quando acaba o doce.
Talvez os risos todos sirvam apenas para lembrar o vazio do silêncio que nasce da ausência. A tua ausência, a ausência de todos, a ausência do meu espírito que se foi. Eu pensava que a fortaleza voltaria a habitar essa morada, mas as coisas continuam aos pedaços. Aquele furacão que levou Dorothy fez com que ela nunca voltasse a ser mesma.
Ou era tudo sonho?
Talvez porque é dezembro. Talvez porque mais um ciclo acaba. Talvez porque a fé insista em desistir.
Tu foste viver outra vida, tu nem lembras mais que eu existo. Se é que algum dia existi. Existi?
E tantas coincidências.
E foste nada, nada. Agora há aquele caderno incompleto, inacabado, como essa idéia, como a idéia de ti. Quem eras tu? O que buscava eu?
Nem sei mesmo onde estava. Estávamos.
Uma livraria no meio da avenida mais movimentada do mundo. Uma calçada com todas as pessoas do mundo.
E eu chorando. E eu gritando.
E ele me dizia: eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...
Quem eras tu?
Eu sei quem ele é, e há sempre um ele, não é mesmo?
E o passado que volta como onda revolta do mar para me cuspir lixo na cara.
Onde estou? O que busco?
Talvez um amor, afinal, inexistente.
Algo que preencha um vazio impreenchível.
Um abraço do tamanho do mundo, que aplaque essa solidão infinita e gélida.
Deve ser por isso que estou sempre com frio.
Um beijo com gosto de areia salgada,
C.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Casa M da 8a Bienal do Mercosul

Eu sou guria de apartamento e cresci no Centro de Porto Alegre, bairro onde morei a maior parte da minha vida. Morei na Rua da Praia, na Washington Luiz, na Duque de Caxias e na Bento Martins, assim, posso dizer que conheço aquelas ruas do lado de lá da Caldas Júnior, até o Gasômetro, como a palma da minha mão.

Tenho minhas casas preferidas no Centro. A maioria, casas antigas de estilo português, hoje caindo aos pedaços.

Qual não foi minha mais grata surpresa e motivo de extrema alegria ontem à tarde, quando, ao visitarmos a 8a Bienal do Mercosul pela 2a vez, descobrirmos que uma dessas minhas casas preferidas foi reformada e virou espaço de arte na programação da Bienal. Trata-se da Casa M, localizada na Rua Fernando Machado nº513, em frente à escadaria da João Manoel (outro dos meus lugares favoritos no Centro, e que está ao Deus dará, infelizmente).

Fiquei encantadíssima e felicissíma com o resultado da reforma e o uso dado à casa. Tirei algumas fotos com o celular que estão no 4Square. O lugar é sensacional, e tem livros que podem ser lidos, espaço para crianças, várias atividades artísticas e culturais relacionadas com a Bienal.

A Casa M fica aberta ao público até dia 10 de dezembro de 2011.

O único porém: ela está locada à Fundação Bienal, e depois do dia 10/12, será fechada. Estou rezando para que alguém alugue e abra um restaurante ali (seria um lugar incrível), ou para que algum ricaço benfeitor  adote a idéia da casa e mantenha como um espaço aberto à comunidade, para produção artística e cultural.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Filmes Argentinos


Há 2 filmes argentinos em cartaz em Porto Alegre, imperdíveis, na minha opinião:


Ambos tratam do ser humano: o que nos aproxima, o que nos afasta. Enquanto um retrata uma amizade insólita, o outro mostra a cidade de Buenos Aires como elemento que une e separa as pessoas ao mesmo tempo.

São filmes bem feitos, leves, divertidos, tristes; tudo na medida certa. Retratam o que há de mais humano nos humanos: as interações sociais e a capacidade que temos de utilizá-las, ainda que inadvertidamente, como fonte de mudança.

Parece ser esse o ponto central de ambos os filmes: mudança. É necessário mudar, deixar o passado para trás, e então ir adiante. Ambos falam não só de amor, como de cura: primeiro você precisa esperar, deixar a ferida cicatrizar, assim você consegue ir adiante, consegue ver do que precisa. Nesse processo de cura entram as outras pessoas: as personagens dos dois filmes são solitárias mas, com a interferência de outros  conseguem passar pelo luto, pela dor, até a casquinha da ferida cair e mostrar a pele nova embaixo.

Quanto aos filmes, devo dizer que a premissa dos dois é extremamente criativa. Sem grandes efeitos especiais, poucos cenários (até porque a cidade de Buenos Aires é um cenário fantástico por si mesma), poucos e bons atores. O suficiente para trabalhos excelentes, entretenimento e também ponto de partida para discussões filosóficas, porque não?

Os dois estão em cartaz no GNC do Shopping Moinhos, e também no Unibanco Arteplex. #ficadica

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Leituras Alheias XII e Leituras Minhas


Outro dia vi o cobrador do bus lendo O Mistério do Trem Azul, de Agatha Christie. Adorei. Adoro ver pessoas lendo, muito mais livros velhos e amarelados, e de escritores que não estão (mais) na moda.

Continuo nas minhas leituras entrecortadas, mas eu me entedio muito fácil, por isso leio vários livros ao mesmo tempo. Pra mim é menos cansativo.


No meio dessas leituras, peguei Borges pra ler. Outras Inquisições, uma série de textos de uma inteligência soberba, absolutamente deliciosos de ler. Daqueles livros tão inteligentes que te deixam com um sorriso na cara. Não tem nada que me alegre mais do que inteligência (muito) bem usada, com aquela ironia fina que só quem é muito inteligente e culto tem. Pode parecer arrogante, mas pessoas simples também são inteligentes. Algumas, muito mais do que certos doutores por aí.

Só que estou falando de Borges, e dizê-lo inteligente chega a ser pleonasmo. O cara era, realmente, fodástico. E esse livro é daqueles que devem ser lidos. Saboreados. Fora que ele tem tantas referências que eu preciso anotar tudo para pesquisar. Porque dos autores que ele cita, só tenho familiaridade com Schopenhauer. De resto, conheço só o nome (e lendo esse livro eu dou graças aos céus por ter estudado, voluntariamente, 2 anos de Latim, porque nenhuma frase em Latim veio traduzida).

Mas se tu não sabes Latim, usa o Google Tradutor e lê. Vale a pena.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Incompleto... pra variar.



A cena era um espetáculo bizarro. Embora fosse verão, parecia-me que a água cristalina do mar era gélida em qualquer estação. No entanto, eles estavam lado a lado, submersos, pareciam golfinhos à espera. Os corpos suspensos dentro d'água, como se dormissem.
A cena era de todo surreal: aqueles corpos imersos na vastidão límpida do mar gelado, lado a lado. Na areia, os carros estacionados com os faróis acesos, virados de frente para o oceano, iluminando aquelas pessoas. Era como se fosse algum tipo de chamado, algum tipo de sinal.
Alguns dias antes os italianos gritavam "Ave Caesar" para aquele que seria o líder. Comíamos pizza e paramos de comer praticamente chocados com a estranheza da cena.
O próprio César não sabia o que fazer, apenas deu uma risada e logo foi seguido por todos, o que aumentou nosso sentimento de temor. Não sabíamos o que estava por vir,
mas a essa altura era claro que alguma coisa crescia no interior do mundo, algo como um pensamento que tomasse forma a partir das sombras e esperasse o momento certo para agir.
Durante aquela semana naquele país estranho, enquanto investigava com muita discrição o passado e a origem daquelas pessoas, meus sonhos à noite foram tornando-se cada vez mais estranhos e vívidos.
Tudo era muito colorido e marcante. Procurava anotá-los em detalhes assim que acordava, mantendo um caderno e uma caneta ao lado da cama, no bidê. Carregava as anotações comigo, mas perdia muito dos detalhes. Sabia que ninguém podia ter acesso àqueles escritos, tinha certeza de que, embora parecessem sem significado, aqueles sonhos e o que eu escrevia sobre eles continham mensagens que não podiam cair em mãos erradas. Quais eram as mãos erradas era o que eu estava tentando descobrir.
Desde a minha chegada há apenas 3 semanas tudo tinha mudado da água para o vinho. Eu via a transformação tomando conta de lugares e pessoas à minha volta. Aquela gente amistosa estava cada vez mais amistosa, demais, na verdade, e eu tentava entender o que acontecia. Tornava-se cada vez mais difícil circular pela cidade sem que alguém viesse estar comigo e querer me fazer companhia. Eu precisava investigar e para isso tinha de ter privacidade, coisa que andava em falta.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Urso

Dois perdidos numa noite suja.
Dizem que as memórias ficam cada vez mais descoloridas e borradas com o passar do tempo, mas esta fica cada vez mais nítida.
Mas não existe a rua, não existem os prédios, nem os carros, nem quem quer que seja que lá também estivesse. Só me lembro de você.
O que aconteceu ali, eu ainda não sei dizer. Só sei que fiquei imediatamente sem jeito. Pulso acelerado. Não quis te encarar.
Depois disso, naquela mesa, tudo que dizias era motivo de riso. O frio justificava meu nervoso.
E depois daquilo, nada. Só um vazio, uma distância, um desespero crescente.
Em tão pouco tempo foste encontro e despedida. Brilho no olhar e lágrimas a correr pelo rosto. Abraços, beijos e partidas.
Tudo de bom e de ruim que há em mim.
Eu não achava que essa coisa de almas gêmeas existia de verdade. Mentira. Eu achava, sim. E já tinha até achado a minha alma gêmea, que como boa irmã, não fala comigo.

Não penso que sejas minha alma gêmea. Ela é única, é aquela, ela não fala comigo, ela só pensa em mim. E eu penso nela. Mas aconteceu algo aquela noite que talvez tenha sido misterioso, para não dizer mágico. O desfecho não foi bom, foi tragicômico, um tanto mais para trágico. Não houve mortos, nem feridos. Foi como se uma bomba explodisse a uma distância segura o bastante para que ninguém se machucasse, mas saí completamente atordoada.

Ele gravou Jimi Hendrix num cd e me deu. Nós, prometidos um ao outro desde pequeninos. Nós, que não temos, nem tínhamos, nada em comum. Apenas a música.

Achei que tu fosses a música, o verso, o acorde de guitarra. Achei que eras meu muro, meu castelo, minha fortaleza. Não posso dizer, sequer, que foste uma desilusão. Não, apenas ilusão. A ilusão da vertigem, do vermelho, da noite. A ilusão que foi embora quando o dia amanheceu e sol brilhou.


WATERFALL
NOTHING CAN HARM ME AT ALL
MY WORRIES SEEM SO VERY SMALL
WITH MY WATERFALL

I CAN SEE MY RAINBOW CALLING ME YEAH
THROUGH THE MISTY BREEZE OF MY WATERFALL

SOME PEOPLE SAY DAY-DREAMING IS
FOR THE ALL THE LAZY MINDED FOOLS WITH NOTHING ELSE TO DO

SO LET THEM LAUGH LAUGH AT ME
SO JUST AS LONG AS I HAVE YOU TO SEE ME THROUGH
I HAVE NOTHING TO LOSE LONG AS I HAVE YOU

WATERFALL
DON'T EVER CHANGE YOUR WAYS
FALL WITH WE FOR A MILLION DAYS
OH MY WATERFALL

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tsunami


A ilha era praticamente apenas uma casa, uma casa de madeira pintada de branco, em estilo colonial. Uma casa dessas que devem existir em lugares como as Bahamas. No pátio havia um viveiro de pássaros que mais parecia uma estrebaria. Havia um pássaro apenas, grande, de penas azuis, um pássaro que talvez exista e eu não sei qual é.
Do outro lado da casa havia um pier e um TGI Fridays (não pergunte). Estávamos nesse restaurante, que estava lotado, conversando sobre como as pessoas aproveitam pouco a vida e desperdiçam momentos comendo fast food, em vez de apreciarem comida de verdade. Então a onda gigante veio e varreu a ilha. Aí percebi que estávamos num arquipélago de pequenas ilhas e todas foram varridas pelas ondas gigantes (foram 2). Corremos para o viveiro, para ver se o pássaro estava bem. A onda caiu em cima da ilha e desapareu, deixando tudo encharcado e meio alagado.
O pier sumiu, junto com o TGI Fridays, sobrando apenas a casa, o viveiro e umas poucas árvores. O pássaro estava molhado e parecia muito triste e assustado.
Então entrou voando pela porta do viveiro um enorme e coloridíssimo tucano, procurando proteção.
Depois veio outra onda e depositou entulhos sobre a casa, que virou um prédio de concreto feito de entulhos. Então a parte original da casa, térrea, ganhou paredes grossas de pedra e tornou-se uma espécie de catacumba de igreja.
As pessoas das ilhas vizinhas migraram para essa ilha, que era a menos inundada. Dentre elas havia um messias, um homem mulato claro, que era uma mistura de Marcos Frota com Ben Harper (again: não pergunte).
E havia um padre. E o padre ia mostrar a esse messias os segredos de Deus. Estavam todos escritos num papiro, em latim. E o messias lia aquilo, era preso e seria enforcado no dia seguinte. E eu não entendia a razão daquilo e queria convocar as pessoas a protestarem, mas todos pareciam satisfeitos.
E no outro dia, de um sol radiante, o carrasco, que era o Javier Barden, vinha fazendo o sinal da cruz e rezando para que Deus lhe permitisse enforcar o messias (já era a terceira vez que iam enforcá-lo).
Enquanto isso, eu percorria as catacumbas atrás do manuscrito de Deus. Quando o encontrei, ele tinha palavras riscadas de preto, impossível de lê-las. O que sobrou do texto não fazia muito sentido e eu tinha ainda de traduzir. E o padre estava no meu encalço.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Something to think about...


I was shooting a scene in my new film, No Strings Attached, in which I say to Natalie Portman:
“If you miss me. you can’t text, you can’t email, you can’t post it on my Facebook wall. If you really miss me, you come and see me.”
I began to think of all of the billions of intimate exchanges sent daily via fingers and screens, bouncing between satellites and servers. With all this texting, emailing, and social networking, I started wondering, are we all becoming so in touch with one another that we are in danger of losing touch?
It used to be that boy met girl and they exchanged phone numbers. Anticipation built. They imagined the entire relationship before a call ever happened. The phone rang. Hearts pounded. “Hello?” Followed by a conversation that lasted two hours but felt like two minutes and would be examined with friends for two weeks. If all went well, a date was arranged. That was then.
Now we exchange numbers but text instead of calling because it mitigates the risks of early failure and eliminates those deafening moments of silence. Now anticipation builds. Bdoop. “It was NICE meeting u” Both sides overanalyze every word. We talk to a friend, an impromptu Cyrano: “He wrote nice in all caps. What does that mean? What do I write back?” Then we write a response and delete it 10 times before sending a message that will appear 2 care, but not 2 much. If all goes well, a date will be arranged.
Whether you like it or not, the digital age has produced a new format for modern romance, and natural selection may be favoring the quick-thumbed quip peddler over the confident, ice-breaking alpha male. Or maybe we are hiding behind the cloak of digital text and spell-check to present superior versions of ourselves while using these less intimate forms of communication to accelerate the courting process. So what’s it really good for?
There is some argument about who actually invented text messaging, but I think it’s safe to say it was a man. Multiple studies have shown that the average man uses about half as many words per day as women, thus text messaging. It eliminates hellos and goodbyes and cuts right to the chase. Now, if that’s not male behavior, I don’t know what is. It’s also great for passing notes. there is something fun about sharing secrets with your date while in the company of others. think of texting as a modern whisper in your lover’s car.
Sending sweet nothings on Twitter or Facebook is also fun. in some ways, it’s no different than sending flowers to the office: You are declaring your love for everyone to see. Who doesn’t like to be publicly adored. Just remember that what you post is out there and there’s some stuff you can’t un-see. But the reality is that we communicate with every part of our being, and there are times when we must use it all. When someone needs us, he or she needs all of us. There’s no text that can replace a loving touch when someone we love is hurting.
We haven’t lost romance in the digital age, but we may be neglecting it. In doing so, antiquated art forms are taking on new importance. The power of a hand-written letter is greater than ever. It’s personal and deliberate means more than an email or text ever will. It has a unique scent. It requires deciphering. But, most important, it’s flawed There are errors in handwriting, punctuation, grammar, and spelling that show our vulnerability. And vulnerability is the essence of romance. It’s the art of being uncalculated, the willingness to look foolish, the courage to say,
“This is me, and I’m interested in you enough to show you my flaws with the hope that you may embrace me for all that I am but, more importantly, all that I am not.”
Ashton Kutcher

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Breves Entrevistas com Homens Hediondos


Seguindo dica de Anna Arantes, domingo à noite eu e o namorado fomos ao Teatro de Arena, participar de uma peça de teatro. Ainda que a participação da platéia não tenha sido tão ativa, eu considerei essa peça uma experiência, foi como estar dentro do texto, por isso o participar.

Infelizmente para quem se interessar, foi a última apresentação.

Trata-se de um livro de David Foster Wallace, de contos, adaptado ao teatro. Não sei se o roteiro é do próprio Grupo de Teatro Sarcáustico, que realizou a performance, mas se é, estão de duplo parabéns.
Foi um programa um tanto insólito para uma noite chuvosa de domingo, devo dizer.

A peça, assim como (presumo) o texto de Wallace, é pesada, de difícil digestão, provocativa, instigante, emocionante. A perfomance dos atores foi magnífica. Eles deram o tom certo ao texto, o que posso dizer mesmo sem ter lido. Imagino que tenha sido muito difícil adaptar o texto. Eles conseguiram trazer o texto ao teatro, pois durante toda a apresentação eu consegui ler o texto. Pode parecer estranho, mas foi assim que eu senti, como se eles fossem meros narradores e o que estava ali, à minha frente, fosse o livro, fosse o texto, fosse o próprio autor.

Houve momentos em que a peça foi quase um balé, uma dança em que se mostra o que há dentro do ser humano. Mesmo no horror há beleza.

Eu não conheço nenhum dos atores, então acho que posso expressar uma opinião realmente isenta. Fazia tempo que eu não ia ao teatro, e fazia tempo que não via uma peça tão original e tão tocante.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Perguntas...

Vi num blog por aí e resolvi pensar a respeito...

Para quem você é indispensável ou inesquecível?

Será que sou indispensável ou inesquecível para alguém? Penso que inesquecível para a minha mãe, minhas irmãs, alguns amigos, quem sabe meu namorado. Agora indispensável? Será?


A quem você empresta seus ouvidos, ombros e o coração?


Em geral ao namorado, aos amigos, às irmãs. Mas às vezes empresto até para estranhos.


De onde vêm seus traços, crenças e preconceitos?

Dos meus pais. Crenças e preconceitos da minha mãe, do meu avô, alguns dos meus amigos, alguns de mim mesma.

Por quem você se arrisca e por quê?


Em geral é pelos outros, e pouco por mim mesma. Por quê? Também quero saber.

Com quem você pode contar em qualquer encrenca?


Com meu namorado. E algumas poucas e boas amigas.

De quanto tempo você precisa para perdoar?


Muito, muito mesmo.

Que nome você escolheria para você mesmo?


Não sei, gosto do meu nome. Gosto de nomes franceses antigos como Josephine, Geraldine...

Tem alguma marca ou sinal nas suas costas?


Não, só pintas.

O que você realmente quer nesta vida e quando vai conseguir?


O que eu quero da vida? Essa pergunta sempre foi difícil pra mim. O que eu quero, nesse momento, é ter uma vida decente. Parei com essa coisa de reclamar, mas está longe de ser o que eu quero, que é ter dinheiro para viajar e criar coisas. Não tenho dinheiro e não estou criando nada. Quando eu vou conseguir? Pretendo que isso comece a acontecer nos próximos meses.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Inês Pedrosa


Já tinha ouvido falar dela, mas não a conhecia. Escritora Portuguesa de renome e, agora, já uma de minhas escritoras favoritas. Quiçá a única. A verdade é que não gosto de escritores brasileiros, e dos estrangeiros são todos homens, não havia, pensando bem, nenhuma escritora favorita em minha vida. Não que eu não tenha lido coisas excelentes escritas por mulheres, mas nenhuma me cativou tanto quanto Inês.

Li apenas um livro e bastou para esse amor existir.

Chama-se Os Íntimos e é absolutamente encantador, pela maneira de escrever, pelas palavras, pelo enredo.
Quem ainda não conhece, precisa conhecer Inês.

A editora Objetiva tem 4 títulos da autora em seu catálogo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Canto da Sereia

Estrelas nos olhos e tal... vai que funciona.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Carta da Cléo I

Querido ..., 
Tinha pensado em te escrever uma carta vindo para o trabalho agora de manhã.
Era uma carta linda, e-mail, o que fosse, que começava com uma frase ótima que eu esqueci.
Eu queria te mandar alguma coisa, acho que era uma música. Não importa, era apenas uma desculpa para tentar falar contigo, por qualquer razão.
O que eu queria te dizer é que tu me moveste.
Li um livro que teve enorme impacto sobre mim, quando eu tinha uns 15 anos. Chama-se Cleo e Daniel, talvez tenhas lido?
Quando eu o li, foi emprestado de um amigo. Agora que tenho 30, decidi comprar o livro e lê-lo outra vez.
Ontem à noite, porque ainda estou lendo um outro livro, peguei Cleo e Daniel e abri uma página ao acaso, pensando em ti, pensando em aprender a falar francês, e havia uma frase em francês, bem no meio da página:

 Évidemment. Et alors?

O que se traduz por (eu acho): evidentemente, e agora?
E agora? Bom, acho que devo começar minhas aulas de francês logo.
O que eu quero dizer é que eu quero agradecer-te, por ter algo em você que me tocou, que me moveu.
O que que quer que seja isso dentro de você e que eu fui capaz de ver, aparte da tua enorme necessidade de ser cuidado, que sempre me atraiu aos homens.
Claro que não disseste: por favor, cuide de mim. Eu apenas reconheci isso em ti, porque geralmente me atraía. Mas não foi isso. Foi outra coisa. Olhos que reluzem, talvez... quem sabe?
Não sou capaz de cuidar de ti. Mas posso, e devo, cuidar de mim mesma. E disseste que não podes ser cuidado, porque já foste muito machucado antes e não suportas mais o toque. Ainda que seja carinho. Mas talvez só por agora.
E está tudo bem. Pra ti e pra mim. Mesmo que a gente perca o contato. E tu não ouças as músicas que te mando. Mesmo que nunca leias isso, ainda que eu acredite que de alguma maneira estamos um na vida do outro. Para estar.
Por mais bobo ou ingênuo que isso possa parecer.
Amor,
Cléo.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sim, nós nos amávamos. Onde foi parar esse amor?

AMAR.
O VERBO.
A VIDA ORIENTA-SE EM FUNÇÃO DA LINGUAGEM OU SERÁ A LINGUAGEM QUE VISA EXPRIMIR A VIDA?
ACREDITO NA PARTILHA, NA INTERAÇÃO.
ENTÃO, A VIDA IMITA A LINGUAGEM E A LINGUAGEM IMITA A VIDA.
AMAR.
A ORIENTAÇÃO.
O VERBO AVANÇA POR ENTRE CASCATAS, FLORESTAS, OU PELO EÓN E A BRUTALIDADE DAS CIDADES.
O VERBO CARREGA EM SI A PUREZA.
E AQUELE QUE O ESCREVE DEVE SENTIR A LUZ DAS COISAS PURAS, A ESSÊNCIA LÍQUIDA DO MUNDO.
AMAR.
PORQUE SE AMA NOS DIAS, NAS SEMANAS, MESES E ANOS.
PORQUE O SER FOI FEITO PARA AMAR.
E EXPRIME O AMOR NA LINGUAGEM.
EXPRIME O SEU PATHOS NO CÓDIGO INTELIGÍVEL DAS PALAVRAS.
EU PODIA VIVER NO MEIO DE FRASES.
EU PODIA VIVER NO MEIO DO MUNDO.
EU PODIA VIVER NOS TEUS LÁBIOS,
NO TEU OLHAR,
EM CADA UM DOS TEUS MOMENTOS SEM MIM.
PODIA VIVER AÍ.
PRESSINTO-TE.
PORQUE O VERBO CONJUGA-SE EM MIM E NO MUNDO QUANDO ESTÁS PRÓXIMO.

(5/5/06)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Carta a Daniel 22

Querido Daniel,
eu te convidei a viver os nossos sonhos, tenho certeza de que aquele sonho específico não era só meu, era algo que criei com o material que encontrei em nossas mentes e corações. Eu te convidei, te convidei!
Me negaste, abandonaste, fizeste pouco de mim.
Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando te fiz aquele convite.
E agora? Onde estão os meus sonhos? Aqueles que eram só meus? Que fim tiveram? Tiveram fim?
Nem procuro mais. E a casa está vazia, mas cheia de lixo. É tanto por limpar que eu nem sei por onde começar.
E tu estás aí, sorrindo, com essa tua cara feia. Quem pensavas que eras?
E onde estava eu com a cabeça, Daniel? Onde estava eu com a cabeça quando imaginei tudo aquilo? Perdida numa dor, perdida numa nuvem de cinzas, perdida, perdida.
Agora sei onde estou, mas não sei onde está todo resto. A dor é só no corpo e o espírito é vazio e pesado ao mesmo tempo. E sinto saudades de coisas que não vivi e de pessoas que existem só na minha imaginação.
Não te deixo mais beijos, Daniel.
Nem sei se volto a te escrever.
Morra, Daniel. Morra.
C.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vestido

As mulheres têm a agilidade de mudar de alma como mudam de vestido. As mulheres podem vestir-se como quiserem. Agarram-se à moda como os homens agarram-se às bandeiras. São mais espertas. As bandeiras nunca dão independência aos homens que as defendem, as bandeiras enterram os homens. O mundo está carregado de cemitérios feitos do amor às bandeiras. No miradouro de São Pedro de Alcântara, com a Lisboa pombalina adormecida a meus pés, acabo de descobrir que o individualismo foi inventado pelas mulheres.

- Os Íntimos, p. 186. Inês Pedrosa, Alfaguara, 2010.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O fio da meada

Não sei se sou só eu, mas ultimamente tenho sentido que estou perdendo o fio da meada. Foi em algum lugar do caminho, em algum momento que eu não sei precisar, que perdi a noção, o critério, o juízo, a razão. E não sei onde estou, nem o que estou fazendo.
Todos os dias fico com uma sensação de que estou esquecendo algo, algo muito importante. De que deixei de fazer algo que deveria, de que esqueci alguma coisa em algum lugar. Minha vida anda o caos.
Parece que estou correndo num labirinto. Nada faz sentido.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Leituras alheias XI e poema

Mesma moça que vi ontem lendo A Cabana. E o Diário Gaúcho, eterno campeão das leituras em transporte coletivo.
Segue algo mais inspirador:


love is a place
& through this place of
love move
(with brightness of peace)
all places

yes is a world
& in this world of
yes live
(skilfully curled)
all worlds

-e.e. cummings

terça-feira, 22 de março de 2011

♥♥ Casamento x União Estável ♥♥


Ontem tive aula de direito de família na pós. Não é uma aula como a da graduação, mas sim uma aula específica voltada para o foco da pós: registros públicos.
Ficamos debatendo as enormes desvantagens da União Estável face o Casamento.
As pessoas acham lindo ficarem fazendo essas "declarações de união estável" para colocar o namorado/a como dependente no plano de saúde ou para usarem o mesmo clube no final de semana, sem pensar nas implicações que isso pode trazer depois.
União Estável é fato. Acontece. Não precisa de declaração.
No entanto, a sociedade inventou essa coisa de "declaração", porque é preciso estabelecer algum tipo de segurança jurídica para as relações.
Se a lei (no caso, o Código Civil) quisesse que casamento e união estável fossem a mesma coisa, teria eliminado o casamento, o que não aconteceu.
A diferença já começa na definição que o Código Civil dá às situações:

CASAMENTO
Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.
Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.
Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família.
Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:
I - fidelidade recíproca;
II - vida em comum, no domicílio conjugal;
III - mútua assistência;
IV - sustento, guarda e educação dos filhos;
V - respeito e consideração mútuos.
x
          UNIÃO ESTÁVEL
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.
Art. 1.724. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos deveres de lealdade, respeito e assistência, e de guarda, sustento e educação dos filhos.

Vejam, primeiro, que, ao contrário do casamento, para que o FATO união estável exista, não é necessário morar na mesma casa. Tampouco é necessário ter filhos. Basta a convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituir família. Não precisa, sequer, haver fidelidade.
Quem vai dizer se esses requisitos (convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituir família) estão presentes será o juiz.
A "declaração de união estável" é, como diz o nome, mera declaração. A validade jurídica dela é muito frágil, o que permite intermináveis discussões via processo judicial quando as pessoas brigam e vai cada um para um lado.
Além disso, a União Estável não apresenta a menor proteção ao patrimônio comum, tampouco ao patrimônio individual.

Enquanto o Código Civil estabelece que:
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos;
III - prestar fiança ou aval;
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação.
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada.
Art. 1.648. Cabe ao juiz, nos casos do artigo antecedente, suprir a outorga, quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo, ou lhe seja impossível concedê-la.
Quem está em união estável não tem essa proteção. Logo, o seu/sua companheiro/a pode fazer o que bem entender quando os bens estiverem só no nome dele/dela. A União Estável não é pública como o casamento, ela não está registrada na matrícula do imóvel que você quer comprar ou vender.
Se o marido/mulher vende um imóvel do casal sem autorização do outro cônjuge, esse negócio pode ser anulado.
Se o companheiro/companheira vende um imóvel do casal sem autorização do outro companheiro/a, só resta ao prejudicado correr atrás do prejuízo processando sua "cara-metade", não há a menor possibilidade de anular o negócio.
Além disso, enquanto no Casamento a data de início da relação fica demarcada, valendo, a partir dali, o regime de bens escolhido, não havendo como debater se esse ou aquele bem foi adquirido com dinheiro de um ou de outro (a partir do casamento); na União Estável a pessoa pode conseguir provar por testemunhas que a relação tinha iniciado antes da tal "declaração" e assim levar patrimônio que uma das partes adquiriu sem a contribuição da outra.
Eu não sou contra a união estável. As pessoas vivem como querem. Mas juridicamente é um instituto que só causa dor de cabeça na hora em que a coisa deixa de ser "meu bem" para ser "seus bens pra lá, os meus pra cá". Tudo, eu disse tudo (início da união, divisão dos bens, pega que o filho é teu, pensão alimentícia pro cachorro de estimação) é discutível.
Já no casamento, a coisa é diferente. As pessoas casadas, sob qualquer regime, têm maior proteção patrimonial e menos espaço para delongar um processo de separação com discussões a respeito de patrimônio (as discussões emocionais, bom, essas podem levar anos, mas o divórcio sai bem rapidinho hoje em dia).
O regime patrimonial legal (automático, se você não escolher outro) é o da comunhão parcial. Em termos simples, casar sob esse regime significa que tudo o que cada um adquiriu antes do casamento continua sendo de cada um, e o que for adquirido durante o casamento, será "fifty-fifty" (dividido igualmente entre os dois). Não interessa no nome de quem está, tampouco de onde saiu o dinheiro.
Para a União Estável, se as pessoas não fizerem um contrato quanto aos bens (ou seja: não basta apenas fazer a tal declaração, é necessário estabelecer um contrato patrimonial para ter algum mínimo de segurança), também vale o regime da comunhão parcial. E o problema é, justamente, fixar a data de início da união estável para fins patrimoniais. É aí que a porca torce o rabo e as pessoas praticamente se matam em salas de audiência Brasil afora.
No casamento, quem decide casar por outro regime que não o legal (comunhão parcial), tem que fazer um pacto antenupcial, que é uma escritura pública. Nesse pacto, quem vai casar não precisa escolher um regime específico, pode fazer um pacto de regime misto, que seja de acordo com a vontade do casal, estabelecendo critérios para divisão patrimonial dos bens, inclusive aqueles adquiridos antes do casamento. Esse pacto é indiscutível, ao contrário dos tais "contratos de união estável". Por isso é importante procurar um bom advogado antes de fazer o pacto. Funciona como nos filmes norte-americanos, em que o casal define tudo antes de casar.
Não quero dizer que num divórcio litigioso (aquele que é feito na Justiça), as partes não possam discutir sobre o que combinaram antes. No entanto, o casamento estabelece datas e obrigações que não podem ser mudadas, e o juiz deve decidir de acordo com o que foi pactuado. Já na União Estável, a coisa fica a critério do juiz, de acordo com as provas que as partes trouxerem... a dor de cabeça é quase certa nesses casos, fora que dá muito mais espaço para lavação de roupa suja e discussões inúteis.
Falando um pouco do aspecto psicológico, vou cair num grande clichê: morar junto não é casar. Realmente não é. A gente só entende o que significa o casamento, quando casa. A pessoa passa a encarar o relacionamento com muito mais seriedade. Pergunte pra qualquer casal que tenha passado por isso.
As pessoas fazem "declarações de união estável" querendo "oficializar" seus relacionamentos. Mas essa declaração, que é particular, não oficializa nada. O Casamento é público. A União Estável não é. Perante a sociedade, aquele casal pode continuar sendo visto como um casal de namorados.
O amor é lindo e tal, as pessoas falam que "não precisamos de um pedaço de papel" e, no entanto, precisam. Vide o número absurdo dessas declarações que pipocam por aí. Pensar em questões patrimoniais não é ofensivo: é razoável e adulto pensar na possibilidade de que talvez aquele relacionamento não seja para sempre e que definir critérios quanto aos bens adquiridos é uma maneira adulta e civilizada de se relacionar, e demonstra respeito pelo outro.
O amor pode ser uma caixinha de surpresas mas, em termos patrimoniais, o casamento não é. Deixa tudo bem definido, enquanto a união estável deixa espaço para infinitas discussões. 
Como amiga e advogada, eu sempre aconselho: case! E faça uma festa linda e me convide!

domingo, 20 de março de 2011

Leituras Alheias X

Faz tempo que não posto aqui as leituras dos outros. Não tenho lido muito no ônibus. As pessoas, em geral, lêem o Diário Gaúcho, e livros como Crepúsculo.
Outro dia, no trem, de um lado tinha uma moça lendo Crepúsculo, do outro, alguém lendo Augusto Cury (affe, um pedante verborrágico). Mas o cara do meu lado salvou a humanidade: estava lendo Don Quijote. Sim, em espanhol. Num livro de páginas amareladas. Meu herói.

domingo, 13 de março de 2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Marina - de Marília de Camargo César

Marina - Marília de Camargo César
Editora Mundo Cristão
Peguei esse livro emprestado de uma colega de trabalho. Tinha que ler uma biografia, não sabia de quem, e ela me indicou e emprestou o livro.
Acabou sendo uma boa escolha por dois motivos: 1) para conhecer melhor aquela que foi a minha candidata à presidência do País; e, 2) para conhecer melhor a história do Acre e do Norte do Brasil, sobre a qual eu confesso: não sabia nada.
A vida de Marina da Silva é realmente extraordinária. Merece ser lido o livro por todo aquele que se interessa um pouco por política nesse país e tem a esperança de que o Brasil melhore.
Também, como eu disse, por retratar, um pouco da história do estado do Acre e de algumas das principais figuras políticas brasileiras, como o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, e Fernando Gabeira.
Ainda, conta um pouco mais da história de Chico Mendes, esse ícone da luta ambiental do país que, segundo o professor da Universidade Federal do Acre, Elder Andrade de Paula, foi "santificado" e, na minha leitura, equiparado a um Che Guevara brasileiro. Quando o livro chega à data de falecimento dele, meus olhos encheram-se de lágrimas.
O livro não é longo, tem um pouco mais de 200 páginas e algumas fotos que ilustram a vida de Marina da Silva.
Há uma parte chata, que foca demais no cenário político e menos na vida da biografada, mas, no geral, dou nota 5 (de 5). Realmente vale a leitura.
Desafio Literário 2011
Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Fevereiro, cujo objetivo é ler uma biografia.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sonho

Essa noite sonhei que estava numa casa, era uma casa que ficava abaixo do nível da rua, como se fosse um porão. Eu já sonhei com essa casa antes, mas não é um lugar que eu conheça (ao menos, acho que não). As portas e janelas estavam todas abertas. Eu estava deitada na cama, ao lado do meu namorado, provavelmente exatamente do jeito que estávamos dormindo. E então entravam dois homens na casa, eu os via entrar, eram como sombras, vultos, apenas os contornos escuros, sem rostos. Eu ficava apavorada e tentava me mexer e gritar, mas mas não conseguia. Apenas murmurava o nome do meu namorado, mas ele não acordava. Os vultos vinham e paravam ao meu lado, ao lado da cama. Um se ajoelhava, e ficava como se estivesse me olhando. O outro pegava a minha mão e dava um beijo no dorso dela e ficava segurando minha mão. Mas eu estava apavorada, ficava tentando gritar, sem conseguir, e aí acabei acordando.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Shh...

Tudo aquilo que não está escrito. O que nunca foi dito. Aquele gesto que nunca saiu do pensamento. São todas essas coisas que farão falta no final. E ele virá quando você menos imaginar. E com ele um vazio. Não muito grande, mas tampouco pequeno. Um vazio com uma agulha para fazer doer de vez em quando. Fazer doer toda vez que você quiser enfiar a mão lá dentro para tentar preencher o vazio.
Eu sinto muito, eu sinto muito mesmo. Por você e também por mim.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sobre os fatos.

O fato é que somos duras demais. Com a gente mesma. É uma agressividade sem tamanho, voltada para si.
Eu queria que a gente fosse menos cruel.
Eu queria que eu me castigasse menos. Gostaria de sofrer menos. Mas a gente embarca numa navalha na carne e só pára quando estamos em frangalhos.
Ele vai te estender o tapete vermelho. Quando você não precisar mais dele. Ou não quiser mais.
Eu acreditava em encontros, mas a vida é desencontro. Desilusão. Decepção.
E tudo me parece sem sentido.
E eu não quero mais resolver os problemas alheios. Quero alguém que resolva os meus.
Eu tenho bastante a dar em troca. Sei que tenho.
Mas se me perguntassem quem eu sou, eu não saberia responder.
Essas são as evidências. De quem tem algo errado. Aqui. Agora.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Post 5 de fevereiro - Sobre cisnes e a ausência do querer

Meu dia hoje foi longo. Por isso escrevo esse post tão tarde.
Hoje fiz muitas coisas sob um sol escaldante.
Saímos para almoçar na Lancheria do Parque, tradicional "point" Portoalegrense, porque o namorado queria comer lá.
Eu confesso que prefiro o lugar no inverno. No verão é muito cheio, muito quente, e bastante sujo.
Mas a comida estava boa e dali fomos atrás de um brique, porque eu queria ver coisas para a minha nova casa, como louças e talheres, que tenho praticamente nenhum.
A tal loja estava fechada, mas caminhamos no sol em busca de apartamentos para alugar.
Sim, estou me mudando, mas ainda não encontrei um novo lugar para morar.
Depois disso acabamos rumando a um shopping center, porque o calor realmente estava exagerado.
Lá, encontramos uma amiga e fomos buscar refúgio no cinema, e escolhemos o filme do momento: Cisne Negro (Black Swan).
Confesso que o filme não me impactou tanto quanto eu pensei.Todos estão falando tanto sobre o filme, e sobre a performance da Natalie Portman, que eu esperava mais. Bem mais.
Depois do filme, fomos "jantar" no McDonald's, onde o atendimento é cada vez pior.
Demos tchau pra nossa amiga e fomos encarar um supermercado, em busca de víveres para comer amanhã. No supermercado, encontrei uma conhecida e o marido, com o bebezinho deles. Um fofinho, super simpático, riu muito pra mim.
Agora estou aqui, passando a limpo o dia de hoje.
Black Swan não foi tudo aquilo que eu esperava, mas foi o bastante para eu pensar em certas coisas.
Perfeccionismo, superação, libertação... esses são alguns dos temas do filme. Mas não só isso, o filme também fala sobre alcançar o que se quer.
Nina, a personagem de Natalie Portman queria muito ser a bailarina principal. Era para isso que ela se esforçava.
E eu? Esforço-me pelo quê?
Nisso estou pensando agora.
Se, por um lado, para ela atingir o que ela queria, ela teve de virar, praticamente, outra pessoa; por outro, ela conseguiu uma espécie de liberdade. Ainda assim, parece-me, não valeu a pena. Do meu ponto de vista. Quem já viu o filme talvez entenda o meu raciocínio.
Mas estou pensando nisso: será que eu me transformaria em outra pessoa pelo que quero? Será que eu seria capaz de me entregar por completo a um desejo?
Pelo visto, eu não sou capaz de nada disso. Meu perfeccionismo esbarra em minha preguiça. Minha dedicação esbarra na minha falta de desejo.
Eu quero ser mãe. Mas eu sempre coloco empecilhos a esse desejo.
Eu quero morar em outro país. Continuo aqui. Por quê?
O que será necessário a alguém obter as coisas que quer? Perder-se em si mesmo? Assassinar o lado bonzinho do caráter e assumir aquele lado negro e praticamente incontrolável?
Será que disciplina cega e obstinação sem medidas são o caminho? 
Ou será que estou exagerando e ainda não alcancei as coisas que digo querer porque, no fundo, não as quero tanto assim?
Hoje foi apenas um sábado. Eu não fiz nada de heróico, de diferente, ou de desafiador. E, no entanto, estou aqui: pensando. No que eu quero pra mim, pelos próximos 30 anos. Graças a um cisne perturbado.
Talvez eu esteja enganada. Talvez o filme tenha me impactado mais do que eu esperava.
Mas estou apenas divagando.

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Texto que eu escrevi para o Projeto 3Meia5. Só que mandei ele na madrugada, agorinha. Será que vai ser publicado? Não sei, mas espiem o projeto lá. É muito legal.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Resenha: O Mágico de Oz - L. Frank Baum

Pasmem! Como eu já havia dito, os sapatos de Dorothy, na verdade, não eram vermelhos! Eram prateados no livro. Muitos butiás rolaram do meu bolso quando descobri.
Passado o choque inicial, prossegui na leitura, que foi imensamente prazerosa. Não é à toa que este livro é um dos maiores clássicos da literatura infantil: é uma delícia! Um conto de fadas moderno, com direito a várias lições de moral nas entrelinhas.
A história todo mundo já deve conhecer, mas não custa repetir: por causa de um tornado, a casa onde Dorothy vive com a Tia Em e o Tio Henry, no Kansas, sai voando pelos ares, levando a menina e seu fiel escudeiro, o cãozinho Toto, para a mágica terra de Oz, o feiticeiro.
Logo ao chegar, Dorothy vira heróina da terra dos Munchkins: a casa dela caiu em cima da Bruxa Má do Leste. Esmagada pela casa, para horror da nossa heróina, menina boa de coração puro, da bruxa sobram apenas os sapatos prateados, que ficam de herança para Dorothy. Os sapatos são mágicos, mas a menina não sabe disso e vai viver muitas aventuras até retornar para casa.
Glinda, a Boa Bruxa do Norte, diz à menina que ela deve procurar a ajuda do grande Oz, um feiticeiro, que poderá fazer com que ela volte para casa. Para chegar até ele, Dorothy deve seguir a estrada de tijolos dourados.
O interessante é que o Kansas de Dorothy é descrito como um lugar todo cinza. Seu tio e sua tia são também pessoas "cinza", que nunca sorriem. Já Oz é um mundo colorido. E isso foi explorado no filme, que começa em sépia e depois usa a tecnologia technicolor para colorir o mundo de Oz.
A terra de Oz é divida em quatro "cantões", por assim dizer. Há a terra dos Munchkins, no Leste. Há a terra da Boa Bruxa do Sul e da Boa Bruxa do Norte, bem como a terra da Bruxa Má do Oeste, a quem Dorothy deve matar para voltar para casa. 
A cidade das Esmeraldas, onde vive o Mágico de Oz, fica no centro disso tudo.
No caminho, Dorothy encontra seus companheiros de viagem: o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Eles decidem viajar com ela pois querem pedir a Oz, respectivamente: um cérebro, um coração e coragem.
No livro há personagens e passagens que não estão no filme, como a terra de porcelana, os ratos do campo, e os homens cabeça-de-martelo. É uma pena, porque essas passagens estão recheadas de mensagens nas entrelinhas. Em especial a terra de porcelana, onde todos os habitantes são feitos de porcelana, e se quebram facilmente. Me parece que a mensagem do autor, nessa passagem, foi a de que você não pode se quebrar muito (num sentido psicológico), ou nunca mais será o que era antes. Há uma personagem aqui que representa essa idéia: um palhaço. Segundo a princesa de porcelana, o palhaço não era bem certo de tanto se quebrar.
Há muitas idéias no livro, lições para Dorothy e para as crianças, sobre como encarar o mundo lá fora. 
Há passagens um tanto sanguinárias, como a cena do Homem de Lata cortando a cabeça de um gato gigante para salvar a vida da Rainha dos Ratos do Campo, ou então quando ele mata (também cortando a cabeça) todos os lobos selvagens que a Bruxa Má do Oeste manda atrás de Dorothy e seus amigos.
Dorothy é uma menina boa, que é sempre socorrida e protegida pelos amigos que faz nas terras de Oz, e consegue escapar ilesa de todas as provações que a história do livro lhe impõe. 
Apesar de ter achado o livro melhor, eu continuo amando o filme e acho que a idéia de transformar os sapatos prateados em vermelhos foi genial.
Aliás, a questão dos sapatos é total referência à questão da menina que vira mulher. Os sapatos vermelhos traduzem mais essa idéia.
Como toda fábula, a história fala das vicissitudes de crescer, deixar a infância e os amigos da infância para trás, e entrar na vida adulta. É um belo conto de fadas e aqui você pode lê-lo na íntegra (em inglês).


Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Janeiro, cujo objetivo é ler um livro de Literatura Infanto-Juvenil.
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Brain x Heart

'All the same', said the Scarecrow, 'I shall ask for brains instead of a heart; for a fool would not know what to do with a heart if he had one'.
'I shall take the heart', returned the Tin Woodman, 'for brains do not make one happy, and happiness is the best thing in the world'.
The Wizard of Oz.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Mágico de Oz

Finalmente comecei a ler o primeiro livro do desafio literário 2011. Para variar, estou lendo vários ao mesmo tempo, tentando, ainda, terminar o On Beauty, que está me exasperando. Ele não é propriamente ruim, mas também não é bom. A impressão que ele me passa é que foi escrito pensando em ser um roteiro de filme televisivo. Total dramalhão.
Agora O Mágico de Oz eu peguei ontem à noite pra ler e descobri que o autor dele escreveu um total de 60 livros! Muitos sobre a fantástica terra de Oz. Mas O Mágico de Oz é o primeiro, e o que fez mais sucesso, um clássico.
E é realmente maravilhoso, daqueles livros delícia de ler. Só não terminei de ler ontem mesmo porque comecei tarde e tinha que ir dormir.

O livro, naturalmente, não é tão parecido com o filme. Ou melhor: o filme é que não é tão parecido com o livro, e isso já se percebe no começo. De início, fiquei sabendo que os sapatos da bruxa, que Dorothy usa durante a história, não eram vermelhos, e sim prateados. Aqui tenho que fazer uma concessão a Victor Fleming, o diretor do também clássico filme, porque a alteração foi realmente ótima. Quem não quer aquele par de sapatos vermelhos que Judy Garland, a Dorothy, usa no filme? Viraram objeto de desejo no mundo todo.
Devo terminar de ler até o final de semana, aí posto a primeira resenha do DL2011. Enquanto isso, bem que o Tim Burton podia regravar o filme, né?