terça-feira, 14 de junho de 2011

Carta a Daniel 22

Querido Daniel,
eu te convidei a viver os nossos sonhos, tenho certeza de que aquele sonho específico não era só meu, era algo que criei com o material que encontrei em nossas mentes e corações. Eu te convidei, te convidei!
Me negaste, abandonaste, fizeste pouco de mim.
Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando te fiz aquele convite.
E agora? Onde estão os meus sonhos? Aqueles que eram só meus? Que fim tiveram? Tiveram fim?
Nem procuro mais. E a casa está vazia, mas cheia de lixo. É tanto por limpar que eu nem sei por onde começar.
E tu estás aí, sorrindo, com essa tua cara feia. Quem pensavas que eras?
E onde estava eu com a cabeça, Daniel? Onde estava eu com a cabeça quando imaginei tudo aquilo? Perdida numa dor, perdida numa nuvem de cinzas, perdida, perdida.
Agora sei onde estou, mas não sei onde está todo resto. A dor é só no corpo e o espírito é vazio e pesado ao mesmo tempo. E sinto saudades de coisas que não vivi e de pessoas que existem só na minha imaginação.
Não te deixo mais beijos, Daniel.
Nem sei se volto a te escrever.
Morra, Daniel. Morra.
C.

3 comentários:

poetriz disse...

Sempre me pergunto quem é Daniel...

Vica disse...

Daniel não é um, são vários. Esse dessa carta é um.

Enid M disse...

morra daniel, morra.