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domingo, 13 de março de 2011
terça-feira, 17 de agosto de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Oh, yes, she did it.
Achei um tumblr só com fotos da Marilyn Monroe. Eu amo Marilyn Monroe. Olhando aquele monte de fotos eu concluí que ela se matou mesmo. Por quê? Não sei, mas desconfio.
Young and Happy
Still young but just not happy anymore...
terça-feira, 8 de junho de 2010
Carta a Daniel 21
Querido Daniel,
Eu preciso te dizer adeus. Nem que seja nos meus sonhos. De alguma maneira, tu estavas lá, dentro do meu coração e dos meus pensamentos. Foste substituído por algo de real, mas me doeu perder-te. Assim como doeu imaginar que eu poderia perder o que tenho de concreto. Mas ele voltou com uma camiseta verde e isso me deu esperança.
Havia uma floresta escura à frente da tua casa, eu não queria que ele fosse até lá. Eu tinha medo que ele não voltasse. Mas também não queria deixar-te. Agarrei-me a ti, com os braços e as pernas e minhas lágrimas, mas permaneceste inerte, como se eu não estivesse ali, como se meu corpo não estivesse junto ao teu.
Havia um veneno em uma seringa negra. Eu tinha uma arma futurista e letal. Havia um helicóptero negro. Eu precisava fugir, eu precisava de ajuda, eu passava mal, eu estava envenenada. O máximo que consegui foi que minha irmã pegasse um ônibus comigo. Eu precisava esconder-me.
Como pudeste simplesmente excluir-me da tua vida como se eu nunca tivesse feito parte dela? Como podes viver sem sequer dedicar um único e singular pensamento a mim? Ainda que o fizesses de tempos em tempos?
Eu sei que me apagaste de tudo. Eu nunca existi. Eu não fui, não sou, não serei nada para ti. E isso não te doeu nada. Tu não sentes dor, tu nunca sentiste a minha dor. Nunca te preocupaste comigo, nunca pensaste que eu poderia simplesmente ir...
Não te deixo mais beijos. Não mais.
C.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Carta a Daniel 20
Querido Daniel,
faz frio lá fora e o frio seria maior se o silêncio não tivesse sido cortado.
Minhas unhas agora são cinza, cinza como minhas roupas e os meus dias. Todos os dias são a distância da palidez do teu rosto. A distância que flui.
Queria que me dissesses porque me odeias tanto. O que há no que possa ter acontecido que tenha deixado tanta mágoa dentro de ti. Uma mágoa que transparece no teu olhar baço, que não tem o brilho de antes.
Há um mundo de distância entre nós. Vários mundos: tudo gira ao redor da música, do tempo, dos sabores e aromas.
Eu queria chorar e não consigo. Em vez disso, meu nariz coça. Eu dormi, dormi, dormi, e não tive nenhum sonho bom. Ainda penso em cortar as minhas mãos, cortar as palmas das minhas mãos e ver o sangue escorrer por entre meus dedos. Isso me acalmaria.
Eu quis a paz e imaginei uma casinha isolada no deserto. Seríamos felizes, eu e tu. Teríamos um cão, peludo e grande. Sempre a andar com o rabo abanando de alegria e gratidão. Se há algo que os cães têm é isso: demonstram gratidão em quase todos os seus atos.
Eu prometeria o seguinte: cuida de mim agora. Cuido de ti depois. Cada um ao tempo de sua necessidade. Porque agora eu preciso, e muito.
Há algo de inconcretizável nesse sentimento que penso recíproco e isso sempre me parte o coração. Sempre.
Um beijo com gosto de poeira,
C.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Calor, cerveja e livros.
No findi passado fugi para o litoral gaúcho para não experimentar a tal sensação térmica de 51 graus anunciada para Porto Alegre. Na sexta, eu e minha hermanita fomos no Barra Shopping. Ela também é rata de livraria como eu, e acabamos comprando uns livros. Ela, livros de autores brasileiros. Eu, acabei comprando por R$14,90, um livro de uma autora francesa, na tradução para o inglês. Chama-se Bonjour Tristesse, de Françoise Sagan. O livro é pequeno e gostoso de ler. A autora tinha só 17 anos quando o escreveu e é a história de uma garota, também de 17 anos, que num verão na Riviera Francesa (ah! que inveja!) descobre o sexo, descobre também que sexo e amor não são a mesma coisa, e que ela pode ser má, muito má. Trata-se de Cécile, uma menina que estudava num colégio de freiras até ir morar com o pai, um bon vivant. Eles levam uma vida frívola, de festas e diversões, sem maiores responsabilidades. Ela tem 17 anos, mas fuma e bebe sem parar. O pai aluga uma casa no litoral francês, para onde vai também uma de suas "amigas". Lá Cécile vive dias de sol e mar, sem qualquer responsabilidade ou preocupação, até conhecer um jovem por quem ela pensa se apaixonar e até a chegada de Ane, uma amiga de sua falecida mãe.
O livro é bem interessante porque mostra um pouco do que era o jeito francês de levar a vida naquela época, a trama é simples, mas o livro é muito bem escrito e tem um senso de humor refinado.
Virou um filme francês e lendo o livro eu pensei que daria mesmo um bom filme. Recomendo muito.
Agora estou lendo Julie & Julia, e o livro é tão, mas tão diferente do filme! Nossa, completamente diferente e muito melhor. Quase chorei de rir com uma passagem hoje, sobre os gatos (sim, a autora tinha 3 gatos, e não apenas um, como aparece no filme). Continuo lendo, também, Mulheres que Correm com os Lobos e estou achando genial. Acho que todo mundo deveria ler, homens e mulheres, porque ele é muito esclarecedor.
Fora isso, algumas coisas bem tristes que aconteceram, outras nem tanto, e a gente aprende que a vida é muito curta para perdermos tempo com bobagens.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
O não amar
Junte os restos de mim e atire no mar. Junte o que ainda sobrou e dissolva na água salgada e gélida. Não deve restar nada. Eu preciso me fundir ao que há de muito maior. O oceano é como o espaço: infinito, misterioso, origem de criação e destruição. Mesmo assim eu tenho medo. Ainda que as coisas não precisem de sentido. Eu tenho medo e o medo apenas me faz sofrer um pouco mais. O medo não me previne de nada. O medo também não me impede de nada. Uma coisa é certa: a vida é muito melhor lá. Ainda que as pessoas também sofram, chorem, percam, morram. Porque há uma dignidade ancestral lá que a nós é estranha, quase intransponível.
Junte os restos de mim e atire no mar. Me deixe ir. Não há razões para o meu ficar.
Junte os restos de mim e atire no mar. Me deixe ir. Não há razões para o meu ficar.
segunda-feira, 26 de março de 2007
Sad but true

Eu gosto dessa música. Algumas coisas são assim: tristes, mas verdadeiras. Mas não quero falar de tristeza, embora esteja um tanto amuada com certos acontecimentos recentes. Oh, well, como dizem: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Vamos aguardar o que vem por aí.
Na verdade eu ando pensando no passado. É sempre assim, não é? Quando o futuro se apresenta diante da gente, imediatamente voltamos nossos pensamentos ao passado. No que eu ando pensando? No amor. Porque há uns 10 anos atrás (gente, como estou velha!), amar era algo assim tão dolorido, tão sofrido, tão difícil!! Por que quando a gente é piá não consegue ser tranqüilo e curtir um amor? Não consegue aproveitar a companhia do outro sem criar toda uma série de pequenos, médios e/ou enormes dramas?? Tudo é tão pungente! Tão tocante! Tão infinitamente exacerbado!
She dreams in color, she dreams in red, cant find a better man...She lies and says she still loves him, cant find a better man...
Ouvindo Pearl Jam, porque hoje só esse homem me faz feliz... (Eddie Vedder). Ele e o meu amado. Na verdade, a música que eu queria escutar é "Nothing as it seems", uma das minhas preferidas. Bom, por acaso tem alguma música do Pearl Jam que eu não gosto?? Acho que não.
Pois era tudo assim antes: cheio de lágrimas e sofrimentos. E brigas por bobagens. E beijos sôfregos. Banhos de chuva que prometiam felicidade eterna para quando o sol raiasse, tudo virasse terremoto! A gente passava tremendo nas bases, pisando em ovos, amando e... sofrendo. Sim, era tudo sofrimento no final. E também mágoa. Hoje isso já foi. Às vezes sinto uma certa melancolia, mas acho normal. Uma melancolia que combina com essa música: Nothing Man. Ou, talvez, Morning Yearning, do Ben Harper. Aquele desejo de algo que não se sabe bem o que é.
A gente se apega a coisas sem sentido. Sentimentos sem sentido e pessoas sem sentido. Tudo é tão maior e tão mais importante, e nos concentramos na pequeneza, na insignificância. É como a moça linda, de rosto perfeito, totalmente neurótica, com medo de perder o namorado. Ora, mulher, você é muito mais que isso, cuspa na cara desse imbecil e siga em frente.
Mas não, o medo da solidão é paralisante. E o que adianta? Nada, mesmo acompanhados, continuamos tão sozinhos quanto antes. Ou, às vezes, muito mais sozinhos. Não gosto de vítimas. Somos senhores de nosso destino. Se tomamos um tombo, somos responsáveis por ter escolhido aquele caminho, por ter acreditado em quem não deveríamos. Claro, podemos ser enganados. Mas lembre que quem escolhe a maneira como vai reagir às situações é você mesmo. Não há ninguém por você, muito menos alguém que vá passar a mão na sua cabeça.
Levante a cabeça, páre de sofrer por bobagens, páre de criar mundinhos tristes e onde você é sempre vítima, e assuma as rédeas da sua vida e dos seus sentimentos. Nós não temos mais 18 anos, quando eu andava de cabelos vermelhos, unhas verdes, camisa xadrez e botinas e me apaixonava por um cara diferente (para sofrer bastante, claro) a cada semana.
Tem gente que cria fantásticas relações de dependência com o que lhe faz mal. Talvez todos sejamos assim, em algum momento. Dependentes de alguma droga, para aliviar um pouco a nossa própria fraqueza. Nelson Rodrigues disse que "ninguém ama e é feliz ao mesmo tempo", e, em certos aspectos, ele tem toda razão. Delícia de leitura essa, aliás.
Eu, no entanto, insisto nessas "impossibilidades". Amo e sou feliz. Mantenho o meu bom humor, ainda que isso me seja custoso, dolorido e realmente difícil em alguns momentos. Hoje, quando eu estava querendo mais que tudo surtar, sair da casa, gritar, correr, me jogar no Guaíba, eu tratei todos os clientes que foram lá no escritório pela manhã e-x-t-r-e-m-a-m-e-n-t-e bem. "Hoje a Vica tá simpática", disse a minha colega, tirando onda. Os outros não têm nada a ver com meus problemas, não é mesmo.
O problema mesmo é quando quem deveria, ao menos, tentar te entender, simplesmente não te entende e leva o que tu dizes em ponta de faca.
Oh, a minha música... Given to Fly... sempre viajo quando ouço essa. Acho que foi feita pra mim. Nesses meus pensamentos sobre o passado eu pensei que se tem uma coisa que eu sempre fui, sempre, sempre, é LIVRE. Uma das pessoas mais livres que eu conheço. Se bem que ultimamente me pego dando conselhos que há algum tempo atrás eu chamaria de cretinos. Mas fazer o que? A idade está me deixando cada vez mais pragmática.
And he still gives his love, he just gives it away
The love he receives is the love that is saved
And sometimes is seen a strange spot in the sky
A human being that was given to fly
Mas sim, eu sempre fui livre. Sempre fiz o que eu quis, e por isso tenho poucos arrependimentos. Porque, afinal de contas, se eu fiz o que quis, não posso me arrepender.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
A esperança é um urubu pintado de verde
Já dizia o grande e maravilhoso Mário Quintana.
Eu ia escrever, mas não tinha muitas palavras para expressar os sentimentos confusos que eu senti. Então achei isso aqui no blog da Carla, que chupou de outro blog... é singelo e pungente, como o que eu queria dizer.
Eu ia escrever, mas não tinha muitas palavras para expressar os sentimentos confusos que eu senti. Então achei isso aqui no blog da Carla, que chupou de outro blog... é singelo e pungente, como o que eu queria dizer.
Aquele “menor”, bem maior do que o menino João, cujo corpo ele ajudou a espalhar pelas avenidas do Rio, vai ficar três anos internado. E depois será solto entre os meninos-João, por quem não se rezam missas de apelo social. Resta só a dor da família: privada, sem importância, sem-ONG, “sem ar, sem luz, sem razão”. Sobre o assassino, há de se derramar a baba redentora rousseauniana: ele nasceu bom; foram os insensíveis da classe média, à qual pertencia o menino João, que o tornaram um facínora. Simbolicamente, a culpa é de quem morre. Também notei que os jornalistas ficaram um tanto revoltados com a polícia, que obrigou os bandidos a mostrar o rosto. Não há dúvida: terrível ameaça à privacidade. Era só o que faltava: trucidar o menino João e ainda ser obrigado a expor a cara… Que país é este? Já não se pode mais nem arrastar uma criança num automóvel e permanecer no anonimato? Sabem do que morreu o menino João? De um ataque virulento de progressismo. Para o menino João, não tem ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), não. Não tem ONG, não. Não tem música do Chico, não. O menino João já nasceu sem perdão. É o guri dos sem-Chico Buarque.
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