quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

And that's not an invitation


If this is communication, I disconnect... (música do The Cardigans que eu amo)...

Eu sempre fui uma pessoa que não teve nada. Consumista doente e praticante do desapego. Sim, todos dirão que eu sempre tive *t*u*d*o, mas a verdade é que sempre tive um medo verdadeiramente ancestral de *t*e*r. Porque eu tinha coisas, sim, coisas, coisas, livros, roupas, sapatos, cosméticos, cds, jóias, bijus, maquiagem... coisas, apenas coisas, para as quais eu nunca liguei muito. O meu medo ancestral de ter refere-se àquelas coisas que a gente realmente tem: o que é fruto do nosso trabalho, o que nos custou o suor do rosto e do corpo, a dor nas costas, a cabeça fundida.

E eu sempre vivi como se nunca fosse ter nada. Como se não houvesse o amanhã. Ganhava, gastava. Pode-se dizer que eu aproveitei, eu namorei, eu amei, eu odiei, eu viajei, eu conheci tantas pessoas, eu gastei, eu comprei, eu dei, eu perdi, cuidei de tantos gatos e cachorros, briguei, chorei, e não tive nada. Já me desfiz de tantas coisas... coisas, apenas coisas.

E um dia, a "adultez" chegou. Eu fui morar com um homem, coisa que eu queria, sim, mas tinha medo, um medo enorme, do comprometimento. Sempre considerei um namoro uma coisa séria mas, ao mesmo tempo, eu achava que era voluntário, que a liberdade prevalecia. Depois, eu casei com esse homem. Eu queria casar, sim, minhas amigas até achavam que eu era uma dessas "loucas para casar" e, no entanto, eu sempre morri de medo, porque o casamento sempre foi aquela coisa 'definitiva', algo que sempre me pareceu imutável, irremediável, mas que na verdade não é, como nada é. E agora, eu me pego querendo ter, e isso me assusta.

Querendo ter uma casa minha, a tão sonhada "casa própria", um canto pra chamar de meu. E isso implica tanta coisa... Querendo comprar um carro, e pensando em como seria se me roubassem, pensando que poderíamos sofrer um acidente... Bobagem, eu sei, posso sofrer um acidente sem ter carro nenhum.

Mas o que me pega, nesse momento, em que estou beirando a idade de Balzac, é estar me debatendo entre esses medos e essas vontades, tal qual Peter Pan (que sempre foi minha história preferida). Porque eu quero crescer, e ao mesmo tempo não quero. Porque crescer significa que você tem que ser responsável, e eu às vezes não quero ser responsável, eu quero ser livre, leve, solta. Estou tentando equilibrar a menina e a mulher, essa mulher misteriosa que eu não sei bem quem é, mas pretendo descobrir.

3 comentários:

Dani disse...

Hiii já passei por esta fase pré- Balzac..hahahaha
Acho que aprendi, (será?), na marra, nas cabeçadas, nas furadas e também nos acertos. Já fui consumista, já fui porra louca, já fui tudo..e estou aqui.
Se eu sei para onde eu vou?
Não sei...
Mas, acredito que todas passamos por transições na vida....
Beijos Vicaaaa

Dani disse...

Posso colocar aqui o comentário que eu fiz pra ti no gtalk? hehehehe
Tô brincando, amiga.

Amei esse post!!!! É complicado ser livre. Sempre tem algo que nos tolhe. Quando éramos crianças, os pais nos controlavam. Agora, são as responsabilidades.
Enfim... de repente, ser livre, 24 horas por dia, tb não seria uma boa idéia. Momentos de liberdade podem ser uma boa saída.
Beijos

Vica disse...

Dani Faxina, o problema é que eu quero saber para onde estou indo. E Dani, às vezes eu queria ser totalmente porra louca, livre e sem qualquer comprometimento... mendiga!!! Hahahaha!!