Não sei se sou só eu, mas ultimamente tenho sentido que estou perdendo o fio da meada. Foi em algum lugar do caminho, em algum momento que eu não sei precisar, que perdi a noção, o critério, o juízo, a razão. E não sei onde estou, nem o que estou fazendo.
Todos os dias fico com uma sensação de que estou esquecendo algo, algo muito importante. De que deixei de fazer algo que deveria, de que esqueci alguma coisa em algum lugar. Minha vida anda o caos.
Parece que estou correndo num labirinto. Nada faz sentido.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Post 5 de fevereiro - Sobre cisnes e a ausência do querer
Meu dia hoje foi longo. Por isso escrevo esse post tão tarde.
Hoje fiz muitas coisas sob um sol escaldante.
Saímos para almoçar na Lancheria do Parque, tradicional "point" Portoalegrense, porque o namorado queria comer lá.
Eu confesso que prefiro o lugar no inverno. No verão é muito cheio, muito quente, e bastante sujo.
Mas a comida estava boa e dali fomos atrás de um brique, porque eu queria ver coisas para a minha nova casa, como louças e talheres, que tenho praticamente nenhum.
A tal loja estava fechada, mas caminhamos no sol em busca de apartamentos para alugar.
Sim, estou me mudando, mas ainda não encontrei um novo lugar para morar.
Depois disso acabamos rumando a um shopping center, porque o calor realmente estava exagerado.
Lá, encontramos uma amiga e fomos buscar refúgio no cinema, e escolhemos o filme do momento: Cisne Negro (Black Swan).
Confesso que o filme não me impactou tanto quanto eu pensei.Todos estão falando tanto sobre o filme, e sobre a performance da Natalie Portman, que eu esperava mais. Bem mais.
Depois do filme, fomos "jantar" no McDonald's, onde o atendimento é cada vez pior.
Demos tchau pra nossa amiga e fomos encarar um supermercado, em busca de víveres para comer amanhã. No supermercado, encontrei uma conhecida e o marido, com o bebezinho deles. Um fofinho, super simpático, riu muito pra mim.
Agora estou aqui, passando a limpo o dia de hoje.
Black Swan não foi tudo aquilo que eu esperava, mas foi o bastante para eu pensar em certas coisas.
Perfeccionismo, superação, libertação... esses são alguns dos temas do filme. Mas não só isso, o filme também fala sobre alcançar o que se quer.
Nina, a personagem de Natalie Portman queria muito ser a bailarina principal. Era para isso que ela se esforçava.
E eu? Esforço-me pelo quê?
Nisso estou pensando agora.
Se, por um lado, para ela atingir o que ela queria, ela teve de virar, praticamente, outra pessoa; por outro, ela conseguiu uma espécie de liberdade. Ainda assim, parece-me, não valeu a pena. Do meu ponto de vista. Quem já viu o filme talvez entenda o meu raciocínio.
Mas estou pensando nisso: será que eu me transformaria em outra pessoa pelo que quero? Será que eu seria capaz de me entregar por completo a um desejo?
Pelo visto, eu não sou capaz de nada disso. Meu perfeccionismo esbarra em minha preguiça. Minha dedicação esbarra na minha falta de desejo.
Eu quero ser mãe. Mas eu sempre coloco empecilhos a esse desejo.
Eu quero morar em outro país. Continuo aqui. Por quê?
O que será necessário a alguém obter as coisas que quer? Perder-se em si mesmo? Assassinar o lado bonzinho do caráter e assumir aquele lado negro e praticamente incontrolável?
Será que disciplina cega e obstinação sem medidas são o caminho?
Ou será que estou exagerando e ainda não alcancei as coisas que digo querer porque, no fundo, não as quero tanto assim?
Hoje foi apenas um sábado. Eu não fiz nada de heróico, de diferente, ou de desafiador. E, no entanto, estou aqui: pensando. No que eu quero pra mim, pelos próximos 30 anos. Graças a um cisne perturbado.
Talvez eu esteja enganada. Talvez o filme tenha me impactado mais do que eu esperava.
Mas estou apenas divagando.
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Texto que eu escrevi para o Projeto 3Meia5. Só que mandei ele na madrugada, agorinha. Será que vai ser publicado? Não sei, mas espiem o projeto lá. É muito legal.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
I miss you.
I really do.
I can picture you in great detail: your wrinkles, your freckles, the dryness of your skin...
And I miss that.
I can picture you in great detail: your wrinkles, your freckles, the dryness of your skin...
And I miss that.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Summer 78
1978, o ano em que eu nasci. Sei pouco sobre ele. Sei que a Argentina ganhou a copa. E só. Aí descobri essa música linda, e me deu vontade de chorar ao escutá-la pela primeira vez. Ela me lembra aqueles filmes de guerra, naquelas cenas que antecedem o horror! O horror! Aquelas nas quais as personagens se apaixonam e andam de bicicleta em campos floridos, num lindo dia de sol. Naquela parte do little did they know do que vinha pela frente. E o que vinha pela frente eram bombas, tiros, sangue, dor e morte.
Fico acompanhando os dramas comezinhos de pequeninos burgueses como eu. Talvez o grande mal desse mundo hoje em dia, o que causa tanta depressão e #mimimi generalizado, seja a falta de grandes dramas. Se a gente tivesse que enfrentar guerras, fome, abandono, tenho certeza de que reclamaríamos menos da vida. Posso estar exagerando, não desejo a guerra nem coisas horríveis pra ninguém, mas o #mimimi cansa demais.
O lance é que enquanto estamos vendo a vida passar e reclamando sem fazer nada, tem gente por aí fazendo coisas lindas e sensacionais.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Onírico
Noite passada cheguei ao que chamei de "o cúmulo do sonho": sonhei que assistia aos meus sonhos numa tv. Assistia e ficava tentando interpretá-los!
Essa noite sonhei que era casada com o Dexter e um alienígena transformava-o num gato! E depois quando ele virava o Dexter de novo, ficava querendo perseguir ratos! E havia ratos alienígenas que engoliam ratos que não eram alienígenas. Tudo era muito absurdo, mas o alienígena que havia transformado o Dexter em gato tinha uma cadernetinha em vários idiomas que supostamente explicava o mistério. E haviam selos na cadernetinha e fotos. E o Kurt Cobain tinha reencarnado num menino chinês.
Juro que não bebi.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Das unhas arranhando a tua pele
Eu caminhei pela Avenida Paulista numa manhã chuvosa e pensei que naquela cidade de 11 milhões de habitantes eu acharia alguém que se apaixonaria por mim, à primeira vista. Eu fui procurar um livro na Cultura e como numa cena de filme, um livro caiu do outro lado, alguém juntou e iniciou-se um diálogo.
O problema é que "não é assim que as coisas funcionam", e realmente não é. Poderia ter sido uma cena de filme, mas não foi. Foi apenas o cotidiano. A grande cidade. O clichê. O desespero nos olhos alheios exaspera e apavora. O desespero nos olhos alheios me fez ter medo e vontade de correr: correr para bem longe. Desculpe-me: não posso te salvar.
Eu não sei se eu sinceramente esperava que alguém me salvasse. Antes eu dizia isso, mas é quase impossível, é quase impossível. Seria como naquele episódio do House: convencido de que era um herói, ele pulou. Mas ele não podia voar, mesmo que realmente pensasse ser um herói. Ou ainda que fosse um herói.
Aí que as coisas retornam pra vida da gente, porque existem mensagens que devemos receber de alguma maneira. Nunca é tarde para elas. Eu me senti tal qual Tereza: eu sou fraca. Você é forte. Nosso amor não pode ser. Quanto a ele, seria justamente o contrário: ele é fraco, eu sou forte, nosso amor não pode ser.
Havia algo naquela cena, naquela casa, naqueles pés descalços. No calor, na barba por fazer. Depois haviam olhos pretos e esses olhos pretos sempre me causam espanto. Não sei se um dia vou conseguir deixar de ter um espanto natural com as mesmíssimas coisas.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Profícua
Ele me diz que tem o coração fechado e está doente da cabeça. Nisso a água ferve, porque eu preciso tomar mais chá pra tirar o gosto de sangue que não sai da minha boca.
É isso, então: vamos passar a chá de borboleta. Porque essa história de ficar comendo chocolate simplesmente não dá.
Eu imaginei. Entra aí. Senta. Toma um chá comigo. Nós não temos mais 17 anos. Isso não é bom nem ruim, apenas é. Nosso amigo faz cara feia, cai e levanta. Eu tento falar-lhe mas ele não me responde. Eu escuto música islandesa e sueca. Procuro alguém que também goste disso. Me diz: será que eu posso mesmo competir com a fantasia de olhos claros? Ou devo mesmo largar de mão o cabeludo? Porque ela não gosta de ti, sabe? Ela diz que tu me corta, e ela tem razão. E a outra disse que o limite foste tu a impor. Não eu. Nem queria impor, queria apenas limitar. Queria apenas dizer: não cruze essa linha, não chegue tão perto.
Partindo de um pressuposto que talvez seja pura pretensão minha, nós não gostamos de tanta proximidade assim, mas a desejamos, a desejamos muito.
E no meio de tudo isso: Lady Gaga é hermafrodita!!!!!! Vejam vocês... e aí me mandam isso por e-mail porque eu, de maneira bisonha, sou hermafrodita também, não é mesmo? Mas ele já tinha me dito que eu tinha esquecido como era ser homem, só porque eu disse que Rob Gordon é um idiota. Mas ele é mesmo. E o Ian também. Dois tremendos idiotas e eu ficaria com a namorada deles.
Eu olho, olho, olho pra essa foto e não consigo me decidir. De novo aquela coisa de saber o que eu não quero, mas não saber o que quero. Agora lembrei que tinha algo a acrescentar naquela lista do orkut! Sim, aos pouquinhos nós vamos indo. Aliás, eu vou indo. Tu eu já não sei. Mas assim, fica mais um pouquinho, eu tenho umas fotos e umas coisas pra te mostrar e quero que proves um alfajor.
Deve mesmo parecer ridículo eu dizer que sou chorona quando tem gente que acha que eu não choro, simplesmente não choro. Havia uma criança lá dentro daquela criança que foi afogada por algo de muito ruim. Ela vive na minha costela, mas eu sempre menti que era meu irmão gêmeo que tinha sido absorvido pelo meu corpo, já te contei essa história? É uma anedota pessoal.
Tu espera só um pouquinho? Vou ter que ir bater no síndico pro vizinho parar com essa música, senão nem conversamos direito. Come o alfajor aí, eu já volto.
É isso, então: vamos passar a chá de borboleta. Porque essa história de ficar comendo chocolate simplesmente não dá.
Eu imaginei. Entra aí. Senta. Toma um chá comigo. Nós não temos mais 17 anos. Isso não é bom nem ruim, apenas é. Nosso amigo faz cara feia, cai e levanta. Eu tento falar-lhe mas ele não me responde. Eu escuto música islandesa e sueca. Procuro alguém que também goste disso. Me diz: será que eu posso mesmo competir com a fantasia de olhos claros? Ou devo mesmo largar de mão o cabeludo? Porque ela não gosta de ti, sabe? Ela diz que tu me corta, e ela tem razão. E a outra disse que o limite foste tu a impor. Não eu. Nem queria impor, queria apenas limitar. Queria apenas dizer: não cruze essa linha, não chegue tão perto.
Partindo de um pressuposto que talvez seja pura pretensão minha, nós não gostamos de tanta proximidade assim, mas a desejamos, a desejamos muito.
E no meio de tudo isso: Lady Gaga é hermafrodita!!!!!! Vejam vocês... e aí me mandam isso por e-mail porque eu, de maneira bisonha, sou hermafrodita também, não é mesmo? Mas ele já tinha me dito que eu tinha esquecido como era ser homem, só porque eu disse que Rob Gordon é um idiota. Mas ele é mesmo. E o Ian também. Dois tremendos idiotas e eu ficaria com a namorada deles.
Eu olho, olho, olho pra essa foto e não consigo me decidir. De novo aquela coisa de saber o que eu não quero, mas não saber o que quero. Agora lembrei que tinha algo a acrescentar naquela lista do orkut! Sim, aos pouquinhos nós vamos indo. Aliás, eu vou indo. Tu eu já não sei. Mas assim, fica mais um pouquinho, eu tenho umas fotos e umas coisas pra te mostrar e quero que proves um alfajor.
Deve mesmo parecer ridículo eu dizer que sou chorona quando tem gente que acha que eu não choro, simplesmente não choro. Havia uma criança lá dentro daquela criança que foi afogada por algo de muito ruim. Ela vive na minha costela, mas eu sempre menti que era meu irmão gêmeo que tinha sido absorvido pelo meu corpo, já te contei essa história? É uma anedota pessoal.
Tu espera só um pouquinho? Vou ter que ir bater no síndico pro vizinho parar com essa música, senão nem conversamos direito. Come o alfajor aí, eu já volto.
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
O que é uma emoção?

"Agora podemos conceber o que é uma emoção. É uma tranformação do mundo. Quando os caminhos traçados se tornam muito difíceis ou quando não vemos caminho algum, não podemos mais permanecer num mundo tão urgente e tão difícil. Todos os caminhos estão barrados, no entanto é preciso agir. Então tentemos mudar o mundo, isto é, vivê-lo como se as relações das coisas com suas potencialidades não estivessem reguladas por processos deterministas, mas pela magia. Entendamos bem que não se trata de um jogo: estamos acuados e nos lançamos nessa nova atitude com toda a força de que dispomos. Entendamos também que essa tentativa não é consciente enquanto tal, pois então seria o objeto de uma reflexão. Ela é antes de tudo a captura de relações novas e de exigências novas. Só que, a captura de um objeto sendo impossível ou engendrando uma tensão insustentável, a consciência capta-o ou tenta captá-lo de outro modo, isto é, tranforma-se precisamente para transformar o objeto".
Jean Paulo SARTRE, Esboço para uma teoria das emoções, p. 63-64, L&PM Pocket.
Jean Paulo SARTRE, Esboço para uma teoria das emoções, p. 63-64, L&PM Pocket.
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